quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O RIO DA MINHA TERRA

O RIO DA MINHA TERRA

Elson Reis de Oliveira

Lamuriante e choroso,
Sob um sol escaldante e atroz,
Agoniza um sonho, uma vida, um encanto,
UM RIO.

Morre aos poucos o meu velho Rio Verde Grande.

Suas águas, antes límpidas e cristalinas, corriam como artérias levando vida a tantas vidas aquáticas e subaquáticas,
Que alimentavam tantas vidas terrestres,
Que mantinham acesas as esperanças de sempre contar com as inúmeras vidas de um rio caudaloso e abundante.

Vieram as máquinas,
O desmate,
As queimadas,
Os agrotóxicos,
As irrigações,
O BICHO HOMEM.
O fúnebre.

Esqueceram o juízo em algum lugar,
O sentimento de preservação,
O amor ao rio
À VIDA,
À PRÓPRIA VIDA.

Levaram os peixes,
As águas,
LEVARAM O RIO DA MINHA TERRA.

Talvez um dia, no futuro,
Haja, quem sabe,
Um lugar seguro
Para guardar pelo menos
Um pouco da história de um rio
Que teimoso
Passou por aqui.



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