quarta-feira, 23 de outubro de 2019

A M U S A


" A    M  U  S  A" 
Elson Reis de Oliveira
1.    Na minha submissão
Comparo-te a uma cena crepuscular;
À margem de um rio, na sua mansidão,
Com pardais e rouxinóis ao sol poente saudar.

2.    Teus cabelos nedosos e cor de mel
Se assemelham às nesgas sombras do céu.

3.    Tua voz macia
Mais parece a melodia dos pássaros a despedir do dia

4.    Teus úmidos lábios
Se parecem com a relva molhada,
Brilhante como a água prateada
A deslizar serena e calma pelo rio.

5.    Teus breves suspiros,
Se comparam às lamúrias da vertente
A embalar uma flor, que pendente
De um galho toca a corrente.

6.    Teu corpo perfeito e esguio,
 Tais como as curvas,
 Deliberantes e sinuosas que margeiam o rio.

7.    Tua boca a murmurar palavras de carinho
E sorrisos de ternura
Se compara com as ondas mansas
Que tocam a orla úmida dos teus lábios com brandura.

8.    Teus pensamentos distantes
São como as águas que passam em direção ao mar
Na busca de seu ideal tão sonhador .  .  .
Mas constante .  .  .

9.    Não sabes onde encontras o início,
Tão pouco sabes onde o fim vai dar,
Mas já perdera nos labirintos e no precipício
Dos ilusórios caminhos em direção ao mar.

10. Teu semblante, teu corpo, tua voz, teus sentimentos  .  .  .
Tudo em ti se assemelham ao momento crepuscular
Às margens de um rio calmo e puro
Onde reinam as sombras noturnas do luar.

11. E, sentado na alcatifa de tua sombra,
Serei eu capaz de desvendar mistérios tamanhos
Que desnudam no olhar desse cativo
Para a linda MUSA dos meus sonhos . .  .

Montes  Claros ,05  de  Outubro  de  1983. - 3.º Cient. "E".
2.º  Colocado no concurso  de Poemas e Poesias
da EscolaEstadual Prof. Plínio Ribeiro - Moc

VOA LIBERDADE



VOA LIBERDADE   
Elson Reis de Oliveira  

Voa, liberdade.
        Voa, alto, voa longe.
              Além dos mares, cruza os montes, as pontes.
                   Destrói os muros:(de Berlin e da ignorância que aliena)
                          E volta logo pra mim.

                          Venha com a aurora, na brisa mansa
                    Trazendo esperança, liberdade, confiança, bonança,      
                                                                            perseverança,
               
               Pra base dessa pirâmide social.

      Na certeza do regresso
Traga o progresso, o sucesso, a verdade, a felicidade,
      A coragem da mudança.

               Faça te acompanhar a real democracia,
                      A cidadania, a clareza,
                             A certeza de um dia
                                  Não ter medo de ser feliz

               E ao voltar, confisca essa dor, o ódio, o medo, o temor
       Confisca até a poupança.
Mas não confisca essa esperança.

       Voa liberdade, voa alto, voa longe
               E não volte de supetão
                       Não se esqueça a moradia, a saúde, a educação
                               Pra esse meu povo que clama por paz e pão.

                                  VOA LIBERDADE, VOA, VOA. . . 



T A L V E Z


"T A L V E Z"
Elson Reis de Oliveira
I.              Se precisares de um amigo
Serei teu confidente em todo momento
Se precisares de alguém que ande contigo
Estarei todo tempo ao teu lado, só eu te entendo.

II.            Se precisares de descanso
Serei uma sombra só pra que possas repousar em meu canto
Se precisares de chorar
Chorarei pra ti para que não afogues em teu próprio pranto.

III.           Se precisares de alguém que te diga "eu te amo"
Eu isso lhe direi com toda sinceridade
E se estiveres sem sono
Cantarei acalanto se for tua vontade
E ainda se estiveres triste
Chama-me e lhe devolverei a felicidade.

IV.          Se precisares de um sorriso confortante
Estarei sempre a lhe sorrir
Se precisares de carinho constante
Terá sempre minhas mãos a lhe servir

V.           Se estiveres em aflição
 Te consolarei com prazer
 Se precisares de calor
             Serei teu sol, só pra você.

VI.          Se precisares só de mim
Podes contar sempre comigo
Serei teu vassalo, teu escravo, teu amor;
Assim, serei teu consolo, tua alegria, tua dor, teu melhor amigo.

VII.         Quando não mais me quiser
Diga-me, por favor, irei depressa embora
Quando, muito tempo depois, se lembrar de mim . . .
Pois é . . .
Eu já terei vivido mil noites insone
Só pra lembrar o quase nada que resta do agora.

VIII.       Quando comigo sonhares
Eu já estarei perdido em meus próprios sonhos de saudade
Quando chorares, infeliz por minha ausência estar
Eu já não terei mais lágrimas pra chorar, aliás, nem lágrima restará

IX.          Quando sentares na solidão dos caminhos
Eu já terei me acostumado a vagar sozinho no frio abismo que me atiraste
Quando precisares de muito amor e carinho
Eu já terei desperdiçado todo o que tinha a te buscar


X.           Quando me procurares nos sonhos
Eu já terei cansado de sonhar contigo
Quando tiver um tempo de sobra pra mim
Eu já terei usado todo o meu só pra te rever

XI.          Quando, finalmente, quiseres que eu volte
Tão somente para lhe escravizar
De tanto esperar . . .
Talvez eu já esteja cansado
E não queira mais lhe encontrar  .  .  .   TALVEZ  .  .  .

Montes Claros ,   29  de  setembro  de  1983
Elson Reis de Oliveira - 3.º  Científico - Turma  "E"
1.º colocado no  concurso de Poemas & Poesias
Escola Estadual Prof. Plínio Ribeiro - M. Claros




O RIO DA MINHA TERRA

O RIO DA MINHA TERRA

Elson Reis de Oliveira

Lamuriante e choroso,
Sob um sol escaldante e atroz,
Agoniza um sonho, uma vida, um encanto,
UM RIO.

Morre aos poucos o meu velho Rio Verde Grande.

Suas águas, antes límpidas e cristalinas, corriam como artérias levando vida a tantas vidas aquáticas e subaquáticas,
Que alimentavam tantas vidas terrestres,
Que mantinham acesas as esperanças de sempre contar com as inúmeras vidas de um rio caudaloso e abundante.

Vieram as máquinas,
O desmate,
As queimadas,
Os agrotóxicos,
As irrigações,
O BICHO HOMEM.
O fúnebre.

Esqueceram o juízo em algum lugar,
O sentimento de preservação,
O amor ao rio
À VIDA,
À PRÓPRIA VIDA.

Levaram os peixes,
As águas,
LEVARAM O RIO DA MINHA TERRA.

Talvez um dia, no futuro,
Haja, quem sabe,
Um lugar seguro
Para guardar pelo menos
Um pouco da história de um rio
Que teimoso
Passou por aqui.



NÃO ESTRAGUE SEU DIA



NÃO ESTRAGUE SEU DIA
UMA CARTA QUE EU NÃO MANDEI
Elson Reis de Oliveira

Bem o sei que não é fácil a gente abdicar das coisas que amamos.
Igualmente é difícil dizer  NÃO, contrariando o coração para satisfazer a razão.
É claro que ainda não arrependi do que fiz, mas admito que algumas vezes me questiono quando, em muitas ocasiões que eu deveria ter dito NÃO e eu disse sim e a única vez que eu disse NÃO, quem sabe se eu dissesse  TALVEZ  . . . mas uma árvore que não pode produzir bons frutos não deve ser podada; deve ser cortada e em seu lugar, deve-se plantar outra.
Ainda não conheci exemplo onde o amor vencesse a razão. Não adianta o gato se acostumar muito com o canário, enquanto o gato tiver toda a comida e carinho que precisa, a harmonia será perfeita; mas um dia o gato vai sentir fome e o canário vai estar à altura de suas mãos. O gato vai sentir solidão e vai desabafar a raiva sobre o canário.
Admito também que, às vezes, procurando algo em minhas coisas, me aparece à queima roupa coisas que foram suas; a saudade bate no peito, no vídeo tape dos sonhos desfilam imagens suas e pinta o famoso minuto de silêncio, minuto que parece eternidade. Mas, pouco a pouco, como que saindo de uma hipnose, volto à tona e a razão volta a falar mais alto, levanto o astral, vou à luta .  .  .

.  .  .  E  A  VIDA  CONTINUA  .  .  .

UM  ENTE .

14 / 08 / 1987 .
"a saudade é tudo aquilo que ficou
por aquilo que não pôde ficar."

O XARÁ DE JOSÉ


O XARÁ DE JOSÉ
Adaptação do poema “E agora José? de Carlos Drummond de Andrade



E agora, José?
O ano acabou
Só você não estudou
E você dançou!
E  agora, José?
E agora, você?

Você que ainda não tem nota,
 que dos outros zombou,
Com matéria alguma você preocupou!
O ano todo você só brincou,
O final do ano já chegou!
Cadê sua nota, José ?
José, e agora?

De tristeza, já não pode beber,
Comer já não pode,
Nem cuspir pode mais.
Seus colegas se esforçaram,
Boas notas tiraram,
Tranquilos ficaram.
E já passaram . . .
Mas, e você, José?

O riso não veio
E tudo acabou,
Tudo mofou.
Não veio a utopia
E só você dançou!



Agora você pede socorro, José!
Pede uma chance,
Pede uma nova prova,
Uma recuperação.
Mas pra que, José?


Com a cola na mão,
Com a lágrima no olhar,
Um soluço quase sincero
E um sorriso meio amarelo
Pede arrego.

Não adianta gritar,
Não adianta gemer,
Nem adianta tocar
A valsa vienense.
 Somente a valsa da despedida
ou a valsa do desencanto, José!

Você quer morrer,
Mas você não morre, José!
Morrer pra que ?

Quem sabe, José!
Para o próximo ano
Você se preocupa mais,
Você estuda mais
E sorri outra vez.
Sorria, José, você não é o único.
Elson Reis de Oliveira




MEU AMOR. . .


MEU  AMOR. . .

DESCULPE O MEU JEITO 

ESTÚPIDO DE TE
AMAR.

É QUE AS VEZES EU ME PERCO EMBARALHADO EM MEIO A TANTAS FÓRMULAS, TANTOS NÚMEROS QUE ME ESQUEÇO ALGUNS QUE SÃO TÃO IMPORTANTES PARA VOCÊ E QUE CERTAMENTE FAZEM A DIFERENÇA.
OS PERCALÇOS E A RIGIDEZ DOS VALORES EXATOS FIZERAM DE MIM  MENOS POÉTICO, MENOS ENTRELINHAS, RETICÊNCIAS. 
PORÉM, ACREDITE! ESSE JEITO RUDE DE SER NÃO DIMINUI O AMOR QUE SINTO POR VOCÊ. APENAS EU TE AMO DO MEU JEITO. DESCULPE-ME.
PODE ACREDITAR, VOCÊ É E SEMPRE SERÁ A MELHOR E A MAIS PERFEITA DAS MINHAS EQUAÇÕES.
SÓ PEÇO QUE ME PERDOE E ME ACEITE.                           

SEU REIS.

O AMOR ACONTECEU


O AMOR ACONTECEU

Elson Reis de Oliveira
DE REPENTE,
NO MEIO DA NOITE,
UM SUTIL E INESPERADO OI
FOI O SUFICIENTE PRA ACENDER A LUZ,
NASCER A AURORA ...

                    CRIAR LAÇOS,
                    DESATAR NÓS,
                    CRIAR VÍNCULOS,
                     BUSCAR O INESPERADO.

A ANTÍTESE SE DESFEZ:
O LONGE VIRA PERTO,
O VIRTUAL VIRA REAL,
O INCOMENSURÁVEL JÁ PODE SER MEDIDO,
O SONHO PODE VIRAR REALIDADE.

                             DUAS ALMAS,
                             DOIS MUNDOS
                             SE ENTRELAÇAM
                             NUMA SIMBIOSE DE DESEJOS.
                             ÊXTASE E PRAZER QUE EXPLODEM NUM GOZO FRENÉTICO!

ALMAS CARENTES,
VIVAS E VIVIDAS NUMA BUSCA INSÓLITA
DE UM MUNDO FUGAZ, EFÊMERO, INSOSSO.


                              O OUTONO VIROU PRIMAVERA,
                              A NOITE VIROU DIA,
                              O LAMENTO VIROU SUSSURRO,
                              O CHORO VIROU GRITO DE PRAZER, DE DESEJO...

O TEMPO É PEQUENO PARA O MUITO QUE QUERO ESTAR COM VOCÊ,
SENTIR SEU TOQUE, SEU CHEIRO, SEU CALOR, SEU SUOR...
OUVIR O SOM DE SEUS LÁBIOS, SENTIR SEU BEIJO, SUA ENTREGA.

SABER QUE O ONTEM E O AMANHÃ POUCO OU NADA IMPORTAM.
O PRESENTE É DÁDIVA, É LUZ, É FELICIDADE!

QUERO BANHAR NO SABOR DESSA VIAGEM VIRTUAL
QUE O REAL É AQUILO QUE NASCEU E EDIFICA DENTRO DE CADA UM DE NÓS.
QUERO, A CADA DIA, VIVER UM NOVO RAIO DESSA LUZ QUE INVADE
E QUE ACALANTA A SEDE DE SER DOMINADO E DOMINADOR.

                    

HOJE EU QUERIA


HOJE EU QUERIA

Elson Reis de Oliveira

Hoje, perdido nos labirintos encaracolados e esquecidos da vida, chegou até a mim a recordação daqueles tempos em que você estava comigo . . .
           
            Hoje eu queria andar com você nas ruas, como antigamente, de mãos dadas, sem receio do ontem nem medo do amanhã. . .
            Hoje eu queria entrar com você numa lanchonete e tomar um sorvete no mesmo copo seu .
            Hoje eu queria sentar com você na frente de nossa casa e ouvir as lindas histórias que você me contava.
            Hoje eu queria deitar no seu colo e, como criança, adormecer com as suas carícias.
            Hoje eu queria sair da solidão a que me prostro e ir ao seu encontro. Onde você estiver. Só nós dois a recordar os momentos de infância. Queria que você me batesse com os chinelos, como antigamente, puxasse minhas orelhas ou me ralhasse, tentando consertar minhas travessuras.
            Hoje eu queria me recostar no seu peito e debruçar no seu ombro e, como menino, me debater em lágrimas. Como um jovem, me explodir em sorrisos. Como um ancião, me perder entre as recordações.
            Hoje eu queria lhe contar tudo aquilo que me aconteceu de belo e triste: os meus sucessos, meus fracassos. . . tudo. . . tudo o que me aconteceu desde o dia em que você se foi.
            Ah! Como eu queria abraçar-te, acariciar-te. Afagar os seu cabelos, beijar seu rosto.
            Eu queria tanto sentir o seu perfume, seu aroma. Queria encostar meus lábios em seus ouvidos e dizer-lhe palavras de carinho, ternura, amor, gratidão, perdão. Queria te dizer quanta falta me faz.

Nada disso posso mais.

Só me resta debruçar no seu túmulo e dizer,

 

TE AMO, MEU PAI


INAUGURAÇÃO DA REDE ELÉTRICA DE JAÍBA - 1978

INAUGURAÇÃO DA REDE ELÉTRICA DE JAÍBA -  1978
Ex.mo  Sr. Governador de Estado de MG.,  Dr.  Francelino Pereira.
Ex.mo  Sr. Vice-Governador, Dr. João Marcos de Vasconcelos.
Ex.mo Sr.  Secretário de Agricultura, Dr.  Geraldo Renalt.
Ex.mo  Sr.  Diretor Geral da Ruralminas, Dr. Geraldo Resende.
Ex.mos Sres. Deputados Artur Fagundes,  Antônio Dias e Cleuber Carneiro.
Ex.mo Sr. Maurício Campos, DD. Prefeito de Belo Horizonte.
Il.mo Sr. Silvino Pereira Gonçalves, DD. Prefeito do município de Manga.
Il.mo Sr. Amelício Francisco Santana, DD. Prefeito do município de Monte Azul.
Demais autoridades presentes,
Senhores, Senhoras.

Legada a minha pessoa a incumbência de representar a escola desta localidade, sinto-me bastante honrado em faze-lo, neste momento tão emocionante para todos nós.
Orgulha-nos muito, o fato de residirmos onde as atenções do governo junto aos ministérios estão sempre voltadas.
Bem sabemos, que são conseqüências do incansável dinamismo do nosso ilustre governador, pois em diversas regiões do nosso estado, ele se repercute, a passos largos.
Não obstante, ser este o plano do governo necessários se fazem nossos mais cordiais e efusivos agradecimentos por tantas realizações as quais prometem grandes transformações nesta localidade a partir da eletrificação tão sonhada e tão almejada.
Não somente quero mencionar os setores econômicos e políticos mas também o setor educacional, do qual provenho e que, com o apoio sempre dinâmico do nosso mui digno prefeito, Sr. Silvino, da intervenção sempre pronta da Ruralminas, do trabalho incansável de diretores e professores, da constante colaboração de pais e colaboradores da comunidade, muito se tem conseguido.
É pois, esta vigorosa corrente que impulsiona os anseios da escola, rumo às autoridades do governo.
Foi assim que em 1960 criou-se o Grupo Escolar Zoé Machado, hoje Escola Estadual Zoé Machado . mais tarde, em 1975, com o apoio da Ruralminas, aprovou-se a criação da Extensão de séries no 1.º grau, da qual já se concluiu uma 1.ª turma, vinda a 2.ª a se concluir no final do ano em curso, da qual faço parte.
Cogita-se ainda, na reconstrução do prédio antigo, que já não oferece condições alguma de funcionamento há alguns anos.
Tudo isso, devemos também à persistência e afinco de nossa ex-diretora Dona Marileide Barreto Normanha Medina, representada agora por Dona Creonice Maria Luciano Ferreira, que não mede esforços em função da concretização dos objetivos da escola. E, não obstante as discrepância da época, mas incentivados pela ação do governo de um estado que já se classifica de Suíça Brasileira, pelos grandes êxitos alcançados em sua administração, especialmente na área da educação e da agricultura; já se sente e já se fala da necessidade do 2.º grau para que a escola possa atender aos alunos que, concluindo o 1.º grau, não podem se deslocar em busca da complementação necessária à sua habilitação profissional, no setor agrícola, bem como no setor educacional.
Poucos foram da 1.ª turma os que saíram em busca do 2.º grau, os outros, filhos de agricultores e funcionários de órgãos que servem à comunidade, não dispõem das mesmas condições dos primeiros, e vêem-se forçados a permanecerem aqui à mercê da intervenção das autoridades que os possam beneficiar em tempo oportuno.
Valendo-me do ensejo, quero apresentar neste momento, o apelo de toda a classe de estudantes da nossa comunidade, em especial, dos concluintes de 79 e pré-concluintes do 1.º grau de 1980, ao Sr. Governador e às autoridades presentes neste sentido, pois estamos prontos para contribuir de alguma forma, para o maior desenvolvimento do nosso grande polo alcooleiro, deste nosso estado e por conseguinte, do nosso pais.
Justa se faz, senhores, a reivindicação estampada na faixa que daqui observamos: De um lado a emancipação da escola de Otinolândia; do outro, a criação de melhor qualificação profissional para a nossa juventude, legando um curso de segundo grau para a nossa Escola Estadual Zoé Machado .

Muito obrigado.

Discurso proferido pelo escolar Elson Reis de Oliveira, no dia 10 de Outubro de 1978, data da inauguração da eletrificação urbana de Jaíba, nessa ocasião, solicitando o 2.º grau para a Escola Estadual Zoé Machado e a estadualização da escola municipal de Otinolândia, hoje Escola Estadual Wenceslau Brás.

(Matéria do Jornal de Noticias de 12/10/1978 – Montes Claros)

SINA E POESIA


SINA  E  POESIA 
Elson Reis de Oliveira


Sob o  olhar impassível de autoridades e cidadãos
Agoniza o Rio Verde Grande

Vagando preguiçoso no seu caminhar sinuoso e quase inerte.

A sinistra sombra da morte serpenteia seu leito como prenúncio
De um trágico futuro...

Pobre Rio da minha infância, quisera eu afagar minhas lamúrias
Em suas torrentes, vislumbrar minha imagem desfocada
Na seiva viva que outrora corria em suas artérias caudalosas.

Quanto lixo, quanto asco...  Hoje, o rubro e o oliva que tingem
Suas águas são o sangue venoso que exala do fétido
Dejeto orgânico e químico;
Resultado da ganância desmedida de uma geração sem cabeça,
Sem alma, sem coração...

Adeus Maromba, adeus Poço da Vovó, Poço da Caixa d'Água,
Curva do Rio, Debaixo da Ponte.
Adeus Pedreira, Areinha, Poço de Luiz Maia...
Reminiscências de minha infância,
Meus primeiros madrigais
Áureos tempos, sonhos idos;
Dias passados que não voltam mais.

Venham todos. Olhai a nova  ponte,
Mas não esqueçais do rio que debaixo dela passa.

Venha João, José e Maria, chame seu pai, sua mãe, seu irmão e sua tia.
Venham ver o rio!
Quem sabe ainda haja tempo de ver o peixinho
Que teimoso debate na vasa a procura de ar puro.

Venha, meu vizinho, chame seu amigo, seu compadre, seu filho.
Chore aqui comigo.
Quem sabe nosso pranto sirva de agulha para tantas linhas ordinárias
Que divagam e perpassam sobre seu leito sem vida.

Quem sabe unindo nosso pranto possamos encher de canto
O encanto, enquanto nosso labor seca a gota desse olhar.

RESTINHO DE INFÂNCIA

  RESTINHO DE INFÂNCIA Nasceu junto com Jaíba, Muitas histórias pra contar, A árvore da minha infância, Um lindo pé de Juá, Foi ...