SINA E POESIA
Elson
Reis de Oliveira
Sob
o olhar impassível de autoridades e cidadãos
Agoniza
o Rio Verde Grande
Vagando
preguiçoso no seu caminhar sinuoso e quase inerte.
A
sinistra sombra da morte serpenteia seu leito como prenúncio
De
um trágico futuro...
Pobre
Rio da minha infância, quisera eu afagar minhas lamúrias
Em
suas torrentes, vislumbrar minha imagem desfocada
Na
seiva viva que outrora corria em suas artérias caudalosas.
Quanto
lixo, quanto asco... Hoje, o rubro e o oliva que tingem
Suas
águas são o sangue venoso que exala do fétido
Dejeto
orgânico e químico;
Resultado
da ganância desmedida de uma geração sem cabeça,
Sem
alma, sem coração...
Adeus Maromba, adeus Poço da Vovó, Poço da Caixa d'Água,
Curva
do Rio, Debaixo da Ponte.
Adeus Pedreira, Areinha, Poço de Luiz Maia...
Reminiscências
de minha infância,
Meus
primeiros madrigais
Áureos
tempos, sonhos idos;
Dias
passados que não voltam mais.
Venham
todos. Olhai a nova ponte,
Mas
não esqueçais do rio que debaixo dela passa.
Venha
João, José e Maria, chame seu pai, sua mãe, seu irmão e sua tia.
Venham ver o rio!
Quem
sabe ainda haja tempo de ver o peixinho
Que
teimoso debate na vasa a procura de ar puro.
Venha, meu vizinho, chame seu amigo, seu compadre, seu filho.
Chore
aqui comigo.
Que
divagam e perpassam sobre seu leito sem vida.
Quem
sabe unindo nosso pranto possamos encher de canto
O
encanto, enquanto nosso labor seca a gota desse olhar.
Bacana!!!
ResponderExcluirObrigado!!!
ExcluirTanto mal foi feito ao nosso Rio.
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